Alerta que vem textão por aí

por Mariana Zirondi

Tirar textos de uma pasta no desktop – sim, ainda faço uso – exige uma dose de coragem em uma era de bombardeios de informações. Postá-los em um blog, então, parece algo ainda mais retrógrado em um mundo comandado por Youtubers.

No entanto, demorei um bom tempo para entender que está tudo bem colocar no papel aquilo que se sente, porque mesmo que as pessoas levantem bandeiras pelo não sofrimento e rasguem nas redes sociais suas felicidades constantes, ele existe. E não me refiro só aquele sofrimento natural causado por um coração partido, por uma demissão ou a perda de um ente querido. Abro espaço aqui para o sofrimento não negativo, motivado por aqueles que percebem que estamos sempre em desconstrução, buscando por algo que nem sabemos direito o que é, mas que dá um baita trabalho descobrir.

Quero revelar que tomei uma dose de coragem para começar depois de ouvir o novo projeto da Sandy, “NósVozEles”, porque entendi que ainda fala-se de sentimentos por aí. Junto com ela (Sandy) todos evoluímos, crescemos e nossas dores passaram de “Turu Turu” para uma “Areia” em mim, em você e em todos nós que “já temos quase trinta”. E está tudo bem falar de amor. Falar de separação. Falar de luta, busca, conquista. E se eu me identifiquei com isso em pleno século XXI, outras pessoas também podem se identificar com tudo isso que passa aqui dentro, e aí dentro e nesse tempo todo do nosso tempo.

Talvez eu tenha precisado entender que esse blog não seria um muro de lamentações para chorar as pitangas que caem das árvores e mancham o chão quando alguém pisa em cima. Mas seria uma oportunidade de florescer a cada texto publicado como uma alternativa de superar aquilo que passou e se preparar para a próxima vitória, frustração, mudança ou então calmaria. Afinal, a vida é uma mistura de tudo isso que a gente planta, que a gente permite, que a gente escolhe.

Decidi que o primeiro post seria uma justificativa desse blog porque quero que você, caro leitor, se sinta acolhido aqui para falar sobre aquilo que te grita, ou excita, ou te faz feliz. O textão é botar em palavras aquilo que me transborda. O alerta vem mesmo como um momento em que tudo isso toma um espaço em branco do word, do bloco de notas, daquela folha de caderno para que os são mais vintage. Não importa. Este é um convite para você que, assim como eu, acha normal falar dos sentimentos. Que chora com música, com filme, com poesia, com áudio da vó no WhatsApp ou com o chute que sua sobrinha dá na barriga da cunhada. Gente normal, que sabe que a vida não é só esse mar de publicações lindas no Instagram, mas é também o caminho que percorremos até elas.

Sejam bem-vindos. Demorem o tempo que desejarem, escrevam também se quiserem e voltem caso isso faça algum sentido. Ou não. É livre.

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