Aprenda a ser sozinho antes de estar com alguém

por Mariana Zirondi

Os anos passam e percebemos que quanto mais velho ficamos, mais difícil é aceitar que novas pessoas entrem nas nossas vidas. E é mais ou menos isso que acontece quando olhamos para relacionamentos passados e pensamos o que, afinal, estávamos fazendo com aquelas pessoas. E é normal. Alguns amores amadurecem com a gente, outros permanecem estacionados em um lugar que nem sabemos mais onde fica.

Acontece que demorei muito para entender isso. E demorei mais um tanto para perceber que, quando somos jovens, aceitamos o diferente de nós facilmente, porque temos a ilusão de que será possível sim transformar as diferenças em peças de Lego prontas para um encaixe que resulte em algo bonito e criativo.

O que ninguém te conta é 99% das pessoas, ao encaixarem peças de Lego, o máximo que conseguem é montar um desenho bem óbvio, sem nada de extraordinário. E, depois de um tempo, se você não transformou seu Lego em obra de arte, vai perceber que fica difícil juntar e aceitar esse formato que as peças tomaram.

Experimente morar sozinho por um tempo. Na sequência, permita que uma pessoa entre na sua casa e deixe algum objeto em um lugar não determinado por você. Simplesmente você vai sentir uma raiva tão grande que vai querer colocar não só a pessoa e o objeto dela para fora, como também o móvel, para que nunca mais isso se repita. Alguns vão chamar isso de toque, eu chamo de espaço construído por mim e confortavelmente acomodado para ser mantido do jeitinho que eu deixei.

E mesmo que o mundo te diga que você precisa ter alguém, com o passar do tempo, mais defeitos você vai achar, porque só achamos os defeitos que temos. Se é difícil suportar em mim, por que vou querer no outro? É então que conhecemos uma realidade que só descobrimos na vida adulta: ser sozinho pode mesmo ser bem legal.

Depois que passei a primeira noite da minha vida sozinha, sozinha mesmo sem poder ligar para o meu pai vir me buscar, senti o ar da liberdade e me viciei nessa sensação.  Ficar sozinho é uma dádiva. Desenvolvi a teoria de que quando aprendemos a ser sozinhos, aprendemos a ser pessoas melhores. Ao se suportar, ao conversar com você mesmo, você se torna capaz de exercer sua melhor versão, porque sabe o quão insuportável a pior é.

Ao ser sozinho, você entende a importância do silêncio, da reclusão, dos momentos de ar puro nos pulmões. Você passa a exigir menos atenção, mais compreensão, menos presença, mais qualidade. A gente precisa um pouco mais do que o simples fato de ter alguém.

Por isso, permita-se ser sozinho pelo menos por um tempo. Isso é uma necessidade de autoconhecimento. Vá ao cinema, ao teatro, faça viagens, compre ingressos para shows e desfrute da sua própria companhia. Aprenda a se suportar. Com certeza seu nível de discernimento vai aumentar e vai te poupar de viver relacionamentos tóxicos com pessoas que não te fazem bem.

Ser sozinho te permite ouvir seu coração e saber exatamente o que você precisa para preencher cada espaço. E, analisando com um pouco mais de calma, você vai entender que se tornou seletivo porque sabe olhar para o outro, se reconhecer nele e entender o que pode ou não te fazer feliz.

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