Pare de fingir que você não está sentindo

por Mariana Zirondi

Uma vez Ruth Manus me disse que os textos em que ela fala sobre sua própria vida são os que as pessoas mais gostam. Na época, pensei que se um dia publicasse meus textos, não teria coragem de falar de mim. Imaginava que faria isso à distância, tratando em terceira pessoa sem me envolver, me expor e me identificar dentro dessas coisas malucas que passam pela minha cabeça.

Talvez eu tenha conseguido isso em dois ou três. No entanto, é bem verdade que os textos em que eu conto algo sobre a minha vida e compartilho algum sentimento ou história real, são aqueles em que as pessoas mais se identificam e se emocionam. E assim fui me desbloqueando porque percebi que quando tiro as minhas camadas, consigo mostrar o que tenho de mais bonito. 

Cheguei à conclusão, então, que a tal da vulnerabilidade, tão temida na contemporaneidade, me abre espaço para tornar autêntico aquilo que escrevo aqui, e também aquilo que sinto ali, na vida offline, no dia a dia, nas minhas relações humanas. 

A gente cresce aprendendo a mascarar os sentimentos. Não demonstra interesse, finge que não está com fome para não quebrar o regime, aguenta firme a ansiedade de algum resultado, tenta não se abalar com o bullying na escola, faz coisas que não gosta para não causar perturbação, é forte quando na verdade precisa de ajuda.  

A gente finge que não gosta, finge que não quer sair, finge que não está cansado das mesmas coisas, finge que não viu o preconceito, finge, finge e finge só porque fingir é uma chance que a gente dá para que o amanhã tenha uma nova chance de se superar e surpreender.  

Escrever, assim, se tornou uma oportunidade para que eu seja exatamente aquilo que quero ser, propositalmente aquilo que não gosto de ser, e me provar que aquilo que sinto é importante.

Alguns textos ficam aqui estacionados e garanto que nunca serão publicados. Mas eu não finjo. Está tudo aqui escrito para que eu releia todas as vezes que me esquecer porque raios vim parar aqui. E os textões podem assustar as pessoas porque o mundo não está acostumando com aqueles que demonstram, confessam, expressam e se deixam abrir.

Pode ser que você não goste de escrever, mas esteja bem cansado de fingir. Por isso, encontre algo que coloque a sua alma em movimento de forma tão autêntica que te faça se encontrar com você mesmo quando algumas coisas precisarem ficar explícitas. Deixe os seus sentimentos de verdade aflorarem à sua pele. 

O mundo precisa saber o quanto você é importante não porque a opinião do mundo importa, mas porque quando a gente deixa o outro nos acessar, renovamos a nossa fé em nós mesmos. Falar em voz alta me liberta da vergonha que sinto, em alguns momentos, de ser exatamente quem sou. E igualmente vale para você, porque te garanto: o que existe aí dentro é valioso demais.

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