Apoie a mulher que está ao seu lado

por Mariana Zirondi

Muitas de nós, eu diria até que a grande maioria, fomos criadas para a competição. Uma voz no fundo sempre diz o quanto você precisa estar perfeita, fazer tudo correto, não se deixar abater, nem se enganar e nem fracassar. A beleza, infelizmente, acaba sendo o eixo estrutural das nossas conquistas. Se estamos magras, de cabelos escovados, bem vestidas, unhas feitas, recebemos elogios. Caso contrário, perdemos a notoriedade.

E se os elogios viessem nessas situações e as críticas fossem excluídas na posição contrária, pelo menos não sentiríamos aquele desconforto ao ter que se explicar. Explicamos porque engordamos, porque não lavamos o cabelo, porque não vestimos determinada roupa, porque a unha está descascada. Muitos dos comentários podem, inclusive, vir de outras mulheres. O motivo? Volte ao primeiro parágrafo e lembre-se: fomos criadas para competição.

Se isso aqui é uma competição, as mulheres ao redor são rivais, e se concorrem, precisam encontrar pontos fracos na pessoa ao lado. É um jogo sem fim que, no final das contas, não leva ninguém a lugar nenhum. Afinal, estamos competindo com qual objetivo?

Nenhum. Não existe uma clareza de jogo aqui porque não estamos em guerra. Antes de olhar para a mulher que está ao seu lado e analisar o que ela não tem, atente-se para o que ela tem. Faça uma reflexão mental das qualidades das pessoas e bote isso à frente dos defeitos, sejam eles físicos ou comportamentais.

Descobrir o que há de bom nas pessoas melhora a sua relação com elas e as faz entender que o que existe dentro delas é muito bom também. Quando se trata de mulheres, as provações já são enormes. Imagine quantas são desestimuladas por seus parceiros, por seus filhos, por seus chefes. Os homens, muitas vezes, já reduzem a importância das mulheres que os cercam para que eles continuem socialmente superiores a elas. Portanto, por que a gente precisa ser quem aponta o dedo?

A autocrítica, muitas vezes, parte de si mesma. Se eu sou dura com a minha aparência, vou ser dura com a aparência de outra mulher também. Se eu sou rígida com o meu trabalho, serei rígida com o trabalho de outra mulher também. Temos um movimento natural de expectativa com o outro baseado na própria expectativa. Temos também um péssimo hábito de achar que o que vale para nós, deve valer para a colega ao lado.

Se você passa por algum movimento desconfortável, pare por alguns segundos e pense no que você tem de bom. Olhe em volta e enxergue o que as mulheres também têm. Entenda que isso não é uma competição, logo, diga a elas quais são seus pontos fortes. Mostre a elas que existe uma mulher incrível ali pronta para fazer outra mulher incrível tornar o mundo ainda mais incrível.

O elogio pode mudar o amor próprio, derrubar as barreiras, unir as mulheres, reconhecer os privilégios, enaltecer as qualidades, filtrar aquilo que é bom e deixar o que não é tão imperceptível ao ponto de perder completamente a sua relevância.

As pessoas sabem aquilo que não as fazem felizes no dia a dia. Elas se olham no espelho muito mais do que você as olha. Por isso, não seja a mulher que aponta para outra mulher aquilo que não está legal. Não cabe a você analisar isso e muito menos resolvê-lo.

A você cabe tornar o ambiente melhor, empoderar suas companheiras a serem mais felizes, dar a elas a oportunidade de se reconhecerem fortes e capazes de fazer absolutamente tudo que quiserem, lembrando sempre que a beleza da alma é vista quando os seus olhos estão ocupados enxergando além das aparências.

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